Sobre o processo de procura de emprego como residente permanente…

O post de hoje começa com uma boa notícia… sim, depois de muitas entrevistas, muita tensão, muita ansiedade, finalmente consegui um emprego no Canadá. Recebi a carta oferta alguns dias antes de completar três meses aqui, o que é um tempo relativamente curto se pararmos para pensar que acabei de chegar num país onde nunca estive e que até  no Brasil demora-se muito mais muitas vezes. Porém quando voce começa a ver seus preciosos reais, economizados com tanto suor, indo embora rapidamente para pagar coisas em dólares, parece que demorou uma eternidade para esse dia chegar.

Enfim… vou tentar contar aqui como foi essa jornada, começando pelo fato de que foram muitos currículos enviados. Muitos. Mais de 250 com certeza. Só pelo LinkedIn foram 190. E esse número me rendeu aproximadamente 10 entrevistas. Parece bem pouco, mas eu considero um número razoável se levarmos em consideração que não tenho experiência ou estudos no Canadá e que isso também faz com que muitas pessoas prefiram nem arriscar me ligar, porque pensam que meu ingles não é bom o suficiente.

Quando comecei a ser chamada para entrevistas, achei que seria rápido conseguir um emprego e que começaria em breve a ganhar meu dinheirinho. Infelizmente não foi bem assim. Esse processo foi um pouco frustrante, porque eu ia para as entrevistas e a primeira coisa que me falavam era: “ah, voce não tem experiência canadense, não é?”. Confesso que pelo fato de acompanhar inúmeros blogs e canais no YouTube de pessoas que moram aqui eu já esperava isso. Mas não achei que fosse ser tanto. Quanto mais eu ouvia isso, mais me dava vontade de perguntar por que me chamaram pra entrevista então, já que isso estava bem evidente no meu CV… ou o que que tinha de tão diferente no Canada, já que eu estava enviando CV para vagas de assistente administrativa ou assistente executiva, cujas funções são funções básicas de escritório. Juro que me segurei para perguntar se o Excel canadense era diferente, ou quem sabe o Outlook canadense… ou o telefone canadense, talvez.

Essa fase não foi das mais fáceis pra mim. Eu sou uma pessoa muito ansiosa e fui ficando cada vez mais preocupada, com medo de nunca achar alguém que fosse me dar a chance de ter a tão desejada experiência canadense e nunca poder começar. Mas na verdade, agora que estou mais tranquila, ao olhar pra trás vejo que não posso reclamar. Eu tinha recebido uma oferta de trabalho antes de completar dois meses aqui, mas considerei que o salário era bastante baixo em relação ao tamanho da responsabilidade que eu teria, não seria suficiente para pagar as contas e era algo que realmente nã0 me motivava a fazer. Resolvi me dar o luxo de recusar e continuar procurando algo que me interessasse mais e me permitisse pelo menos me manter ou chegar mais perto disso.

Continuei mandando CVs sem parar. Posso dizer que so usei o LinkedIn para encontrar vagas. Muitas pessoas recomendam o Indeed e o Monster aqui, mas acho esses sites desorganizados demais, a mesma vaga aparece mais de uma vez porque o empregador pagou pra que isso acontecesse, então eu particularmente não  gosto. Sem contar que normalmente as vagas que estão  no LinkedIn proporcionam um risco menor de entrar em furadas, mas lembrando que sempre ha exceções.

Uma outra coisa que eu achei útil, mas não sei dizer se foi decisivo na hora de encontrar emprego, foi pagar pela versão premium do Linkedin. Achei interessante porque ele ficou mais personalizado, me mostrava as vagas na qual eu estaria entre os principais candidatos e ainda me mostrava a média de salário para cada uma delas.

Uma coisa que eu achei interessante foi a função Easy Apply do LinkedIn, através da qual era praticamente só clicar em um botão para aplicar para a vaga, não exigia Cover Letter nem nada do tipo. Eu apliquei para o meu emprego atual através do Easy Apply e fui chamada para muitas entrevistas que apliquei por esse meio. Falando em Cover Letter… está aí uma coisa que pode dificultar um pouco o processo de busca de trabalho, ja que eh algo que não temos o costume de fazer e exige uma dedicação de tempo enorme caso você queira fazer bem feita.

Resumindo a minha história… depois de muitos CVS enviados, algumas entrevistas, bastante frustração, cheguei perto de conseguir o tão sonhado emprego. Nessa fase cheguei a receber inicialmente uma proposta, mas novamente o salário era praticamente o mínimo para uma função que exigiria muito mais responsabilidade e dedicação. Fiquei animada no começo, pois era para trabalhar numa consultoria de imigração canadense e eu aprenderia mais sobre esse tema que muito me interessa. Porém aproveito para deixar um conselho para quem estiver lendo: muitas dessas agências são gerenciadas por pessoas não tão corretas e, enquanto as mesmas se dizem muito dispostas a facilitar a vida dos imigrantes, são as primeiras a tentar explorar alguns deles. Fiz a minha pesquisa e descobri que o salário que estavam me oferecendo estava muito abaixo da média para aquele tipo de cargo e resolvi recusar. O dono da consultoria não ficou nada feliz e me mandou um email bastante deselegante, digamos assim, o que me fez ter a certeza de que tomei a decisão certa.

Alguns dias depois recebi uma oferta para o cargo que finalmente acabei aceitando, para trabalhar na área de product development numa empresa que fabrica joias. O salário condiz com o cargo, é justo e me permite me manter aqui. No meu caso isso é mais complicado do que pra quem vem em casal, o que permite que os dois trabalhem. Ainda que um deles normalmente só trabalhe meio período, pelo menos são duas pessoas contribuindo para pagar as contas. Como estou sozinha, preferi persistir antes de aceitar de cara salários que não cobririam as despesas.

Muita gente acha que é mais fácil encontrar emprego sendo residente permanente. Acho que pode até ser considerando um número muito limitado de empresas, ou se considerarmos que residentes permanentes necessariamente precisam ter um nível de inglês bastante bom para tirar uma nota alta no IELTS. Digo isso porque pela minha experiência, a maioria dos empregadores só quer saber se o seu visto te permite trabalhar legalmente, sem diferenciar entre tipos de visto. E no meu caso e no caso de muitos que vejo por aí, o que dificulta mesmo é a falta de experiência canadense e não o tipo do visto.

Enfim, essa foi a minha saga. Considero sim que dei sorte de conseguir um bom emprego numa boa empresa em um tempo relativamente curto, mas também sei que em parte devo isso à determinação para enviar um numero gigante de CVs e à habilidade que fui desenvolvendo de explicar que o fato de não ter experiência canadense não seria um problema.

E são essas as minhas dicas: LinkedIn, pago ou não, mandar CV para todas as vagas possíveis, preparar o discurso para explicar como o fato de você não ter experiência canadense não vai te atrapalhar, como por exemplo mencionando outras situações adversas que você superou, outras vezes que morou fora ou que teve que se adaptar a um ambiente ou função totalmente diferentes, algo assim. E tenha muita paciência, não deixe a frustração ou o abalo da autoestima te dominarem, mantenha a determinação e o foco que logo aquela carta de oferta vai chegar pra você.

Boa sorte para quem estiver nesse processo ou estiver pensando em vir para cá, fiquem à vontade para fazer perguntas e comentários.

Bjs e ate o proximo post.

11 Comments

  1. Marcelo S

    Parabéns Lu! Muito sucesso! Tambem estou penando aqui em Vancouver e me reconheci no seu texto todo. E olha que já tenho um pouco de experiência canadense. Vagas que pagam pouco, processos extremamente demorados, nervosismo nas entrevistas. Enfim, tenho que continuar tentando.

    • lulikealocal lulikealocal

      Obrigada, Marcelo! Pois é, acho que esse começo é parecido pra todo mundo, independente do currículo que trouxemos de casa, né?! MAs aos pouquinhos vamos encontrando nosso lugar ao sol! Boa sorte em tudo aí!! Beijão

  2. Fran

    Oi Lu, sabe me dizer se existem empregos part time com salarios razoaveis? Estou na duvida se pago o college pra ter o work permite ou continuo com foco no ingles para entrar no EE e comecar a trabalhar.

    • lulikealocal lulikealocal

      Oi Fran,
      Confesso que nunca pesquisei muito trabalhos part time, mas só pelo fato de ser part time, mesmo o salário sendo um pouco acima do mínimo, não é muito. E começar aqui com um salário mais alto normalmente é difícil, por mais que seu CV seja bom, pois você não terá a experiência canadense. Na minha opinião, lembrando que não sou consultora de imigração e não sei qual é o seu perfil, se é só o inglês que falta para você conseguir aplicar pelo EE, invista nisso e venha pelo EE. Se não der pelo EE e tiver dinheiro para investir no college faça isso. Obrigada pela visita e boa sorte 🙂

  3. Daniela Longaray

    Oi Lu! Eu e meu marido estamos esperando o PPR, recebemos o AOR dia 30 de junho, há um mês, e queremos ir para Toronto também =D O Meu marido é redator publicitário, e apesar de ter o inglês ótimo também (CLB 9 como você), sabemos que essa área de criação de conteúdo e que trabalha diretamente com a língua vai ser bem difícil de ele conseguir algo no começo, então existe sempre essa opcão de ir para uma área mais administrativa como você foi. As nossas perguntas são:

    1. Você tinha experiência exatamente nessa área que entrou aí no Canadá ou mudou bastante a área? Como fez com o currículo (deu uma “focada” na parte administrativa?)?

    2. Meu marido já está mandando bastante currículo daqui, para ir sentindo a febre, e ele usa a palavra-chave “copywriter”, que é o cargo que ele atua aqui. Quais palavras-chave você usou para essa área que está agora?

    Estamos adorando seu blog, parabéns mesmo e vamos ficar aqui sempre acompanhando, abraço!

    • lulikealocal lulikealocal

      Oi Daniela, que ótima notícia, parabéns para vocês! Venham mesmo, Toronto é uma cidade maravilhosa!
      Bom, aqui existem os meios de comunicação das comunidades locais também, só entre portugueses e brasileiros são vários jornais, claro que nada muito grande, mas pode ser uma opção interessante para atuar como freelance por exemplo. Na área administrativa não faltam oportunidades e muitas vezes outras línguas são valorizadas e os salários costumam ser bons. Eu tinha experiência como assistente executiva mas aqui comecei a trabalhar numa empresa que fabrica jóias. Nunca trabalhei com jóias e não tinha vocabulário técnico relacionado â area nem em português, o que dirá em inglês. Foi um desafio, mas acabou dando certo. Em relação o currículo, exatamente, foca e valoriza a experiência na área da vaga em que você está aplicando, escreve uma cover letter caprichada e é só torcer. Eu usei basicamente Executive Assistant, Administrative Assistant, Portuguese e outros idiomas, basicamente isso. Que bom que vocês estão gostando, fico feliz. Espero ter ajudado. Um abraço e boa sorte 🙂

  4. Oi Lu, tudo bem??
    Estou pretendendo ir para o Canada (Calgary para ser mais exato) e minha area é administração (tenho uma lapidação de Cristais de Rocha, inclusive se a sua empresa trabalhar com esses produtos podemos conversar!! Rsrs!!) Com base na sua experiência como funcionária de uma empresa de joias, seria muito complicado encontrar uma vaga semelhante a sua em outra parte do Canadá?

    • lulikealocal lulikealocal

      Oi Wander, tudo bem e você? Olha, eu confesso que vim parar na área das jóias por acaso, então não tenho muito conhecimento do mercado, principalmente fora de Toronto. Sei que a maioria das minas estão nos Territórios do Noroeste, lá pra cima. Mas existem várias empresas como a em que eu trabalho que fabricam as jóias em si. Coloquei no Google “jewellers manufacturers in Calgary” e apareceram várias opções, então comece a pesquisar os sites delas e ver se existe uma parte com vagas ou um contato para mandar CV e se apresentar. Espero ter ajudado um pouquinho, boa sorte em tudo e obrigada pela visita 🙂

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