Imigrar sozinho(a): pontos positivos e negativos!

Olá pessoal! Lá se vão quase 6 meses aqui no Canadá e nesse post resolvi falar um pouquinho sobre as vantagens e desvantagens de se imigrar sozinho. Se você morre de vontade de vir sozinho mas tem medo, este texto é para você. A experiência pode ser um pouco mais desafiadora do que para quem vem em casal, mas na minha opinião, se esse é o seu sonho, acho que não vale a pena deixar de vir só por falta de companhia. Mas é claro que isso depende do seu perfil e das suas preferências.

Esse texto trata basicamente de um fator: solidão. Pois é, ela será sua grande companheira em muitos momentos. Desta forma o principal ponto a ser levado em consideração antes de tomar a decisão de se mudar de pais é: qual e a sua capacidade de conviver com a solidão e como você lida com isso. É um grande desafio, mas a minha ideia aqui é mostrar que há vários pontos positivos e que morar sozinho em outro país é uma experiência incrível.

O desafio de sentir-se sozinho

Para imigrar sozinho, você precisa estar disposto a se sentir sozinho. Soa bastante óbvio, mas não é fácil dimensionar para quem nunca passou por isso. Pense que você vai estar começando a vida em outro país, do zero, provavelmente chegará sem conhecer ninguém ou praticamente ninguém.

Para quem vem para estudar ainda é um pouco mais fácil, porque nas escolas é comum encontrar pessoas que também vieram sozinhas e estão mais abertas para novas amizades. Para quem vem só para trabalhar é um pouco mais difícil, porque normalmente os colegas de  trabalho são daqui ou já estão aqui há um tempo, são casados, etc. Além disso, você já deve ter ouvido falar que em lugares como a América do Norte e Europa, as amizades não se dão com tanta facilidade e rapidez como no Brasil. É um processo mais a longo prazo e requer paciência.

Desta forma, é preciso parar para pensar se você esta preparado para isso. Nem todas as pessoas conseguem lidar com o fato de estarem sozinhas durante muito tempo, principalmente durante os finais de semanas, que são dias em que normalmente se passa com a família ou amigos. Estando fora do país muitas vezes, principalmente no começo, você não tera ninguém. Nessas horas bate aquela saudade de casa e a vontade de desistir de tudo.

Não quero desanimar ninguém, pelo contrário. A experiência é muito válida e, na minha opinião, vale a pena enfrentar esse desafio. Eu considero que hoje em dia lido bastante bem com a solidão, mas nem sempre foi assim. Como não é a minha primeira vez morando fora e sozinha, passei por um longo processo ate amadurecer e me acostumar. Hoje em dia gosto até demais de ficar sozinha e não tenho problemas em passear, viajar, ou fazer qualquer coisa sozinha. Mas, volto a repetir, nem todo mundo gosta ou consegue se acostumar. Então vamos aos aspectos positivos e negativos.

Ter que se virar sozinho pra tudo X as maravilhas da liberdade

Então, já sabemos que você vai ter que fazer absolutamente tudo sozinho.  Todas aquelas atividades chatas e cansativas do começo: procurar emprego, procurar apartamento, descobrir como funcionam as coisas. Não vai ter ninguém pra te dar um apoio ou dividir as tarefas e as contas com você. E vai ser cansativo, frustrante, pesado. O começo é a parte mais difícil. O processo de procurar emprego num lugar em que ninguém te conhece é longo e desgastante. Venha preparado psicologicamente para isso.

Por outro lado… isso significa que você terá liberdade total para fazer o que quiser, como quiser, onde quiser, na hora que quiser. Quer coisa melhor?! Liberdade: como eu gosto desta palavra. É isso, você mora sozinho, longe de todos… pense em lavar roupa, cozinhar ou limpar a casa so quando estiver afim, decidir sozinho o que comer, o que ver na televisão, a hora de acordar nos dias livres e fazer o que quiser durante eles, ou ate mesmo não fazer nada. Eu adoro!

Cabeça vazia… X oportunidade de autoconhecimento

Estando sozinho sobra mais tempo para pensar. E nem sempre os pensamentos que batem nessas horas são positivos. É na hora da solidão que aparecem todos aqueles questionamentos: o que estou fazendo da minha vida? Será que tomei a decisão certa? E se acontecer alguma coisa com a minha família e eu não estiver lá? Vou me arrepender de não estar passando esse tempo perto da minha familia? E ainda sempre vai ter aquele parente ou amigo chato para falar que você está fazendo uma loucura, que deveria estar pensando em construir família e buscar uma carreira estável, mas ao invés disso resolveu largar tudo e se aventurar do outro lado do mundo! Vamos lembrar essa pessoa que a nossa geração é outra, os objetivos e a forma de pensar são outros… e é só dar uma olhadinha no jornal para ver que nosso país não está em condições de oferecer um futuro muito brilhante para nós jovens, não é mesmo?! E pode saber que muitas dessas pessoas morrem de vontade de fazer o que você está prestes a fazer, mas não têm coragem, falei!

Bom, vou confessar que sou eternamente assombrada por esses pensamentos. Não é fácil, mas a dica é não deixar eles te dominarem. Tenho muita sorte de contar com o apoio incondicional da minha familia: eles são os primeiros a me ajudarem a afastar esse tipo de pensamento. E as outras pessoas que acham que eu estou fazendo uma loucura, são simplesmente ignoradas. Mas se esse não é o seu caso, lembre-se o porquê de estar fazendo tudo isso: por que mesmo você saiu da zona de conforto e está enfrentando tantos desafios? Certamente foi por alguma razão e se ela for forte o suficiente, você vai persistir e seguir em frente. Lembre-se que seus pais também saíram de casa um dia, talvez não foram para tão longe, mas também foram atras das coisas que acharam ser certas para eles naquele momento dentro das possibilidades deles, sem pensar tanto no que os pais deles pensariam.

O lado positivo da coisa é que já que você terá tempo de sobra para passar com você mesmo, vai ter tempo para fazer planos, dedicar tempo a coisas que gosta. E está aí uma grande oportunidade para se conhecer melhor. Você não terá escolha: terá que aprender a gostar da sua própria companhia e a lidar com a solidão. Nesse processo vai aprender mais sobre você, o que você realmente gosta, o que não gosta.. poderá analisar o que te incomoda e trabalhar para melhorar. É um grande desafio, porém te proporcionará crescimento e maturidade. Aos poucos você se tornará uma pessoa mais independente. Você vai começar a perceber que a sua felicidade não depende de outra pessoa e se surpreenderá ao ver o quão capaz você e de conquistar tantas coisas sem a ajuda de ninguém.

Obrigado(a) a sair totalmente da zona de conforto

Claro que quem vem em casal também está saindo da zona de conforto. Mas você que vem sozinho está se jogando pra fora dela! Isso é ótimo para proporcionar crescimento, maturidade e independência como eu já comentei. Além disso, você acaba ficando mais aberto para fazer novas amizades. Casais acabam se apoiando mais um no outro, o que não deixa de ser ótimo para eles contar com essa companhia, mas já que estamos aqui sozinhos e temos que olhar o lado positivo, estaremos mais dispostos e mais acessíveis para conhecer novas pessoas.

Uma consequência positiva disso é que você terá mais chances de praticar e aprimorar o idioma do pais. Em casa você não terá ninguém para ficar falando o seu idioma, então a cabeça sera forçada a pensar mais em inglês por exemplo. Claro que essa imersão seria ainda mais profunda se não existisse o WhatsApp e as redes sociais, mas de qualquer forma, ao ter que se virar sozinho, ir às compras sozinho, correr atrás de novas amizades, você vai ser obrigado a suar para aprender melhor o idioma e enriquecer seu vocabulário para poder se expressar cada vez melhor.

Acho que são esses os pontos principais. Se você nunca viveu algo parecido antes, recomendo que vá fazer uma viagem sozinho para ver como se sente. Não precisa ser uma viagem internacional, vá para a cidade vizinha por um final de semana e veja como você lida com a solidão. E faça isso mais de uma vez para ir se acostumando. Aí você vai saber se isso é para você ou não.

Meu conselho para não deixar a solidão se transformar em algo triste: se ocupe. Envolva-se em atividades, vá conhecer um lugar diferente para ter certeza ou se lembrar que o novo lugar que você decidiu chamar de casa é incrível, leia um livro que te faça bem, faça alguma atividade física… E aquele conselho clichê, mas que ajuda bastante: sempre que a vontade de desistir se aproximar, lembre de todos os motivos pelos quais você tomou a decisão de vir: sejam os problemas econômicos e sociais do seu pais, o sonho de dominar um novo idioma ou de viver a experiência de estar fora do país, etc. Você é capaz, basta saber lidar com as dificuldades.

É isso.. espero ter feito você pensar nos pontos negativos, mas principalmente ter destacado os pontos positivos. Deixe o medo para trás e se jogue para fora da zona de conforto, porque vale muito a pena!

Bjs e até o próximo post.

12 Comments

  1. Rosy

    Grande sonho que tenho: imigrar para o Canadá. Com certeza foco nos pontos positivos. Quando as condições estiverem favoráveis, se Deus quiser, esse sonho se concretizará.
    Parabéns pela postagem, Lu!

  2. Thiago W.

    Muito legal seu post, me ajudou bastante, pois sempre tive as mesmas dúvidas e somente via conteúdo direcionado para casais… Mesmo o Brasil com todos esses problemas, é realmente complicado achar alguém com a mesma linha de pensamento e força de vontade para imigrar, na verdade é bem o oposto rsrs. Acredito que essa característica do brasileiro ser muito ligado a família é o que mais dificulta na ora de tomar a decisão de imigrar, porem também acho que é o que nos distingue e nos define como brasileiros.

    • lulikealocal lulikealocal

      Oi Thiago. Que bom saber que o post foi útil. Concordo, somos muito apegados e fica mais difícil, mas também fazemos boas amizades no novo lugar de moradia, o que também é característico brasileiro. Obrigada por acompanhar o blog 🙂

  3. Luca

    Oi, Lu!
    Primeiramente, parabéns pela coragem e obrigado por compartilhar conhecimento!
    Recebi o PPR semana passada e já enviei os passaportes para o VAC, estou esperando o retorno pra ter a sensação mais firme de confirmação. Também estou indo sozinho e concordo que praticamente só existe conteúdo voltado pra casais. Isso estava me dando uma certa angústia, pois nunca morei sozinho, quanto mais em outro país (apesar de já ter viajado bastante e ser fluente em inglês, então língua ou experiência fora não seriam problemas). Achar suas experiências foi bem providencial, especialmente no meu timing atual, haha.
    Você conhece outras pessoas que foram solteiras?
    E uma curiosidade alheia ao tópico: você fez o landing e ficou de vez ou foi depois? Pergunto porque tenho que fazer o landing até o final de março, mas por questões profissionais (e até financeiras) eu só pretendo me mudar de fato daqui a 1 ano. Não vi gente que tenha feito o esse processo com um intervalo tão grande, fico com receio de me causar algum problema…
    Enfim, obrigado de antemão! 🙂

    • lulikealocal lulikealocal

      Oi Luca! Muito obrigada, espero estar ajudando um pouquinho 🙂
      Que maravilha!! Parabéns!! Fico feliz por você. Pois é, se eu falar que é fácil vou estar mentindo, mas é muito interessante, divertido, desafiador num bom sentido… então na minha opinião vale a pena. Conheço sim outras pessoas que vieram sozinha, são raríssimas mas existem. Eu fiz o landing e fiquei de vez mas é super normal sair e depois voltar. Cheguei a considerar mas acabei decidindo vir de vez, até para economizar e pagar uma passagem só. Conheço quem já saiu e voltou depois, não sei ao certo se tem um prazo limite, posso procurar me informar. A única coisa é que você precisa dar entrada no seu PR Card e colocar algum endereço para recebê-lo e parece que tem uma burocraciazinha para sair e voltar sem o PR, você precisa solicitar um outro documento, mas super factível. A única desvantagem é que atrasa um pouco a obtenção da cidadania se esse for seu objetivo, mas se você não tem pressa e tem razões para ficar pelo Brasil mais um tempo, acho válido fazer o que for melhor pra você. Espero ter ajudado. Obrigada pela visita e boa sorte 🙂

      • Olá, Lu! Adorei o seu post 🙂 Encontrei seu blog por causa do vídeo no canal da Kitty.

        Li todos os seus posts e acabei lendo os comentários desse post aqui. Aproveitando o comentário do Luca, aproveito pra dizer que também tou indo pro Canadá sozinha! E sim, a maioria do conteúdo é direcionada para casais. Bom saber que você vai trazer essa perspectiva.

        Recentemente recebi o ITA e devo fazer o exame médico em breve. Pelos mesmos motivos do Luca, só pretendo me mudar para o Canadá (mais especificamente Vancouver) no final de 2018/ / começo de 2019.

        Ansiosa para ler os próximos posts!

        • lulikealocal lulikealocal

          Olá Susana, tudo bom? Que bom que gostou. Parabéns pelo ITA! Fico feliz por você e espero te ver por aqui em breve. Fique à vontade para sugerir novos temas para posts e volte sempre. Bjs e boa sorte em tudo 🙂

    • Marcos

      Luca, estou na mesma situação que você, vou imigrar sozinho, mas primeiro farei o chamado soft landing, em que ficarei apenas 12 dias no Canadá e voltarei ao Brasil para juntar mais uma grana e imigrar de vez no ano que vem. Já me informei bastante a respeito e pelo que li não há problema algum em fazer isso, desde que você não fique mais do que três anos longe do Canadá. O ideal é ter alguém lá para receber o PR card pra você e depois te enviar pro Brasil. Caso contrário é só solicitar o Permanent Resident Travel Document – PRTD por aqui que te possibilita uma reentrada no Canadá e quando estiver lá, você solicita o PR Card novamente.

  4. Fernanda

    Parabéns pela coragem e ousadia e ir atras dos seus sonhos e objetivos, pois começar do zero não é fácil, mais faz parte do crescimento como pessoa… e isso é muito bom. 😉

    Abraçao.

    • lulikealocal lulikealocal

      Oi Fernanda, obrigada! Não é fácil mesmo, mas são muitas as coisas positivas que surgem dessa experiência. Como eu disse no vídeo do canal da Kitty, vale muito a pena! Um abração e obrigada pela visita.

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